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Genoma de quilombolas é 98% africano

ED. 261 | NOVEMBRO 2017

 

As atuais comunidades quilombolas da Guiana Francesa e do Suriname são uma das populações de ascendência africana cujo DNA mais reflete sua ancestralidade. Apenas 2% de seu material genético não veio do continente que, via tráfico negreiro, forneceu 7 milhões de escravos à América do Sul entre os séculos XVI e XIX (American Journal of Human Genetics, 2 de novembro). Esse índice de origem africana no genoma de habitantes de quilombos, comunidades originalmente formadas por escravos fugidos que se mantiveram isoladas por um longo período, foi encontrado em um estudo de geneticistas europeus e sul-americanos. Sob a coordenação de uma equipe francesa da Universidade Paul Sabatier, eles analisaram marcadores genéticos de ancestralidade em 231 indivíduos de origem africana: 71 habitantes de quilombos da Guiana Francesa e do Suriname, 16 afrodescendentes do Brasil e 20 da Colômbia, além de 124 moradores da África Ocidental. A presença de DNA não africano entre os negros brasileiros e colombianos da amostra, que não vivem em quilombos e tiveram historicamente mais contato com europeus e índios sul-americanos, foi elevada, mas bem menor, de 24% e 29%, respectivamente.


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