Paleontologia

Pterossauros nasciam sem a capacidade de voar

Os filhotes de pterossauros, répteis alados já extintos, contemporâneos dos dinossauros, rompiam seus ovos prontos para andar, mas não para bater asas e ganhar os ares. Assim que nasciam, os ossos da cintura estavam formados. Isso permitia que eles se apoiassem sobre as patas traseiras e dessem os primeiros passos. Porém, a estrutura óssea que dá suporte aos movimentos do músculo peitoral, essencial para sustentar o voo, ainda não estava totalmente constituída. Os recém-nascidos também não tinham todos os dentes, limitação que provavelmente os impedia de se alimentar sozinhos. Para sobreviver até que os ossos de apoio das asas e os dentes estivessem completos, os filhotes tinham de permanecer um bom tempo sob o cuidado dos pais. Esse cenário, sobre o desenvolvimento embrionário e os primeiros movimentos, ainda tímidos, dos filhotes de pterossauros, é sugerido em um estudo feito por paleontólogos brasileiros e chineses (Science, 1º de dezembro). “O descompasso entre o desenvolvimento dos ossos da cintura e os da musculatura peitoral indica que os pterossauros não conseguiam voar ao nascer”, comenta o paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um dos autores do trabalho. Com o auxílio de imagens de tomografia computadorizada, o grupo analisou o interior de 16 ovos de pterossauros da espécie Hamipterus tianshanensis, que viveu há cerca de 120 milhões de anos na bacia de Turpan-Hami, no noroeste da China. Com cerca de 5 centímetros de altura, os ovos não se encontravam achatados e mantinham a tridimensionalidade. Os fósseis estudados fazem parte do maior conjunto conhecido de ovos desses répteis (215 no total), que estavam incrustados, ao lado de dezenas de ossos de exemplares adultos da espécie, em um bloco de arenito.