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Paleontologia

Colecionador arremata dinossauro por € 1,13 milhão

Fóssil de dinossauro que viveu entre 156 milhões e 151 milhões de anos atrás

Aguttes

Em 4 de junho, um colecionador anônimo arrematou por € 1,13 milhão o fóssil de um dinossauro que viveu entre 156 milhões e 151 milhões de anos atrás. O leilão, realizado pela casa Aguttes, em Paris, incomodou os paleontólogos porque o exemplar pode pertencer a uma espécie ainda não descrita pela ciência e gerou uma discussão sobre a tendência recente de tratar fósseis como objetos de arte. Especialistas suspeitam que o fóssil de 9 metros (m) de comprimento e 2,6 m de altura seja de uma nova espécie do gênero Allosaurus, formado por carnívoros menores e mais antigos que o Tyrannosaurus rex. O crânio e os ossos que permitiram recompor 70% do esqueleto foram escavados em 2013 no estado norte-americano de Wyoming, embora um especialista que analisou o fóssil suspeite que ele reúna ossos de dois exemplares – nos Estados Unidos, a venda de fósseis achados em propriedades privadas é legal. Dias antes do leilão, a Sociedade de Paleontologia de Vertebrados (SVP), que representa estudantes e profissionais da área nos Estados Unidos, solicitou à Aguttes o cancelamento da venda. “Fósseis de vertebrados cientificamente importantes são parte de nossa herança natural coletiva e merecem ser mantidos em confiança pública”, escreveu a direção da SVP. A sociedade manifestou preocupação com a notícia de que o novo proprietário poderia opinar sobre o nome da espécie. “A nomeação de novas espécies é regida pelo Código Internacional de Nomenclatura, que atribui prioridade ao primeiro nome validamente publicado, não ao proprietário do exemplar.” Segundo a Aguttes, o novo dono emprestará o fóssil a um museu para ser estudado. Para a SVP, é antiético nomear uma nova espécie com base em um exemplar que não esteja em um repositório reconhecido e com acordo para curadoria.