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História

Guaranis ainda sofrem influência das missões

Leandro Kibisz Construções dos jesuítas no Sul do Brasil: antigas escolas para os povos nativosLeandro Kibisz

Em 1609, os jesuítas inauguraram suas missões entre os povos Guarani, na fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai. Por um século e meio, ensinaram as crianças a ler e a escrever, os homens a esculpir em madeira e as mulheres a fazer bordados. Os religiosos foram expulsos da América do Sul em 1767, mas as missões ainda influenciam a educação e a renda do povo Guarani e de seus descendentes das regiões próximas, de acordo com um estudo do economista colombiano Felipe Valencia Caicedo, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá. Com base em dados de arquivos do Vaticano, da Espanha, do Paraguai e da Argentina, Caicedo verificou que, a cada 100 quilômetros a partir das ruínas da missão, as taxas de pobreza aumentam, em média, 10%, enquanto a taxa de escolaridade diminui 0,7 ano, em razão da transmissão de especialização do trabalho e do uso de tecnologias agrícolas aprendidas com os jesuítas (The Quarterly Journal of Economics, 8 de outubro). Outra conclusão desse estudo é que as pessoas que moram em áreas mais próximas ao local das antigas missões ganham cerca de 10% mais do que os moradores de cidades vizinhas, onde as missões jesuítas foram abandonadas ou empreendidas por outra ordem religiosa, os franciscanos, que valorizavam mais a saúde do que a educação.

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