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Entrevista
Um otimista de curto prazo
Cientista social lança livro e afirma crença num futuro próximo e próspero para o Brasil
© Léo Ramos
"Um grande esforço no sentido de aperfeiçoar, acelerar e ampliar o desenvolvimento científico-tecnológico é a primeira condição para se desenvolver"

"Em épocas de grande agitação o dever do intelectual é manter-se calado, pois nessas ocasiões é preciso mentir e o intelectual não tem esse direito”, afirmou, algo cínico, o filósofo Jose Ortega y Gasset (1883-1955). Embora se confesse um apaixonado pelas ideias do espanhol, “que exerceu uma influência extraordinária na minha formação”, o cientista social Helio Jaguaribe não é um discípulo intransigente. Embora concorde que a mentira não tem lugar na fala dos pensadores, ele se recusa a manter-se calado, para nossa sorte, ainda mais em tempos difíceis como os atuais. Nesse ponto, Jaguaribe, atualmente Decano Emérito do Instituto de Estudos Políticos e Sociais (Iepes), é mais um seguidor dos ensinamentos de seu pai, Francisco Jaguaribe de Matos. “Ele era um homem de cultura com um profundo espírito cívico e ético. Ele me incutiu as ideias de amor e dedicação ao país, de sentido público.” Aqui se pode reconhecer com facilidade o pensador que, aos 86 anos (um imortal da Academia Brasileira de Letras), não se cala nem mente. Prefere pensar o Brasil.

Carioca, advogado de profissão, Jaguaribe não se acomodou apenas na teoria e, a partir de 1949, começou a escrever a famosa e prestigiada Coluna da Quinta Página no Jornal do Commercio. Também se reunia com um grupo de amigos intelectuais do Rio e de São Paulo no Parque do Itatiaia para pensar os problemas que via todo dia na empresa e que atrapalhavam o desenvolvimento da sociedade brasileira. Em 1953, a reunião se transformou no Instituto Brasileiro de Economia e Sociologia e Política para, em 1955, com apoio do presidente Café Filho, ganhar o estatuto de Instituto Superior de Estudos Brasileiros, o célebre Iseb, núcleo de pensamento que elaborou a teoria do nacional-desenvolvimentismo. “Queríamos propor um projeto reformista para a transformação do Brasil, a ideia de uma reforma do capitalismo a partir do próprio capitalismo.” Discordando de mudanças ocorridas no Iseb, Jaguaribe, em 1959, demitiu-se. Arregaçou as mangas e foi trabalhar num projeto de expansão da Companhia de Ferro e Aço de Vitória, de sua família, experiência que ensinou a ele a dura realidade de empresários e trabalhadores. Com o golpe militar, exilou-se nos EUA, para onde foi lecionar sociologia em universidades do porte de Harvard, Stanford e do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Voltou ao país em 1969 e, dez anos mais tarde, assumiu a direção do Iepes. “Flertou”, de forma responsável, com o Estado por duas vezes: em 1985 coordenou o Brasil 2000, no governo José Sarney; em 1992 foi secretário da Ciência e Tecnologia do governo Collor, deixando o cargo quando o presidente foi apeado do poder.

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