NOTAS

Print Friendly

Deputados versus antropólogos

ED. 254 | ABRIL 2017

 

SBPC defende Associação Brasileira de Antropologia, acusada por CPI do Congresso de fazer estudos que favorecem indígenas

SBPC defende Associação Brasileira de Antropologia, acusada por CPI do Congresso de fazer estudos que favorecem indígenas

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) enviou uma carta ao Congresso Nacional em defesa da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), ameaçada de ter o sigilo fiscal e bancário quebrado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A associação e outras organizações não governamentais são acusadas de influenciar processos de demarcação de terras por meio de estudos feitos sob encomenda e de receber “dinheiro do exterior”. O pedido de quebra de sigilo foi feito no dia 8 de março pelo deputado federal Nilson Leitão (PSDB-MT) e aguarda votação. Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Leitão argumentou em nota que “há fortes indícios de uma estratégia conjunta de uma rede de ONGs patrocinadas por fundações e governos estrangeiros mobilizando indígenas a invadir áreas privadas e, mediante atos de violência, pressionar a demarcação de áreas onde não há ocupação tradicional de indígenas, o que contraria a Constituição Federal de 1988”. De acordo com Lia Zanotta Machado, professora da Universidade de Brasília (UnB) e presidente da ABA, as acusações são graves e infundadas, uma vez que a entidade não produz estudos para a Funai e o Incra. “Somos procurados pelo Ministério Público e por juízes que atuam em casos de demarcação de terras. A associação disponibiliza listas com nomes de especialistas para auxiliar magistrados a tomarem suas decisões com base em informações científicas”, esclarece. Ela explica que esse é um procedimento normal e que a decisão final cabe aos juízes. “A associação, como várias outras instituições científicas e universidades, recebe financiamento de fundações de apoio estrangeiras. A ABA tem projetos financiados pela Fundação Ford, dos Estados Unidos, que também apoia seminários realizados pela entidade.”


Matérias relacionadas

PESQUISA BRASIL
Células-tronco, Indústria 4.0, Nobel da Paz e química verde
MEMÓRIA
Há 190 anos eram criadas as faculdades de direito de São Paulo e Recife
NOBEL DA PAZ
A Campanha Internacional para Abolir Armas Nucleares foi premiada